Saudade - texto de Martha Medeiros

Escrito em julho de 1998 e publicado no livro "Trem Bala", lançado em 1999

" Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de
muito grave, para sentirmos tanta saudade..."

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua, dói cólica,
cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói e a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não
se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo,
que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
e a saudade de QUEM SE AMA.
SAUDADE DA PELE,
DO CHEIRO, dos BEIJOS.
Saudade da presença, e até da ausência
consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto,
sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a
faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o
dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba,
ou torna-se menor, ao outro sobra uma
saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a
barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o
dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por
causa daquela mania de estar sempre
ocupada, se ele tem assistido as aulas
de inglês, se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a pagina do Diário Oficial, se
ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
se ele continua preferindo Malzebier, se ela
continua preferindo suco, se ele continua
sorrindo com aqueles olhinhos apertados,
se ela continua dançando daquele jeitinho
enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem,
se ela continua detestando o MC Donald's,
se ele continua amando, se ela continua a
chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram
mais compridos, não saber como encontrar
tarefas que lhe cessem o pensamento, não
saber como frear as lágrimas diante de uma
música, não saber como vencer a dor de um
silêncio que nada preenche.
Saudade e não querer saber se ela está
com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo
tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro,
se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer.
Saudade e isso que senti enquanto estive
escrevendo o que você, provavelmente, está
sentindo agora depois que acabou de ler...

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SAUDADE É...

Pablo Neruda

...Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
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Pranto de Saudade
Como conviver com a distancia
Como se pode dormir
Não se tem carinho

Imagino
Fantasio
Chego a sentir
Os beijos e carinhos

Que faz surtar
O que me faz queimar
Tal saudade que me consome
E o tempo esconde
E meus olhos se emocionam
Ao enfim chora

*Cristiana Passinato*

 

SAUDADE DO MEU SERTÃO
(Rogério Alves)

 

Quando eu vim para essa bandas
com meus versos a cantar
eu penei por muitas léguas
os meus sonhos ao luar

Andei perdido no suor da minha rede
mas na parede concertei com o balançar
na madrugada senti fome e senti sede
e o desejo no fogo do meu amar

Tirei do fundo da memória a minha sina
e o querer de pro sertão poder voltar
pro meu abraço na paixão tão dividida
e esquecida na vazão do meu chorar

Rodei meu mundo castigando a minha vida
com a ilusão perdida no meu caminhar
Do Rio Grande ao Pernambuco e à Paraíba
Tirei meu lucro com a emoção do meu cantar

No parecer dessa canção tem lamento
e um tormento que não sai do meu chorar
Mais a saudade mi trará consentimento
pra que eu volte pro sertão, pro meu lugar
pra que eu volte pro sertão do Quixadá
pra que eu volte pro sertão, pro meu lugar

Quando eu vim para essas bandas,
do sertão do Quixadá
eu penei por muitas léguas,
com versos ao luar

 

Saudade

 

"É preciso aprender a administrar saudades."

Alcantara, Araquém

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A dor de uma saudade.


Saudade é chorar numa música...
Música que me leva ao meu amor.
Saudade é não saber o que fazer com
O silêncio da ausência que me traz dor.

Saudade de não saber,
Não saber o que se fazer
Com os dias que nunca se acabam!...
Com as noites que nunca terminam!...

Saudade de meu amor
Amor distante que me faz sofrer
O que fazer com a dor dessa saudade
Saudade... Que me faz, cada vez mais, te querer.

Saudade do teu toque, do teu gosto, do teu cheiro
Saudade do que nunca existiu
Mas quando o amar é verdadeiro.

Nossos desejos acontecem através dos sonhos

Sonhos que neles tudo você permitiu.
Saudade de você meu amorzinho
Você que me faz tão feliz na dor de te amar
Amor que um dia vencerá a dor da saudade

Saudade que romperá a distância
Distância e impedimentos não mais existirão
Aí poderemos viver nosso amor
E toda nossa paixão.

É melhor sentir a dor da saudade
Do que não ter por quem sentir essa dor,
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido
Por um grande amor.

Quero que você saiba benzinho,
De como você é importante pra mim
De como é bom ouvir sua voz
De como você me faz falta

De como é grande, o meu amor por você.
Como sinto saudades.
Por favor, nunca me deixe só. Não saberia mais viver sem você,

Você já é parte de mim.
Deixe-me sempre sentir
A dor dessa saudade de você.
Te

amo, te adoro e te quero.

 


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